Perfeito para um churrasco

Perfeito para um churrasco

Depois de ter feito a minha mudança, acordei no domingo com o corpo todo dolorido. Carregar geladeira velha não é para qualquer um. Como não sou de ferro, depois de todo esse esforço eu merecia uma recompensa. Então nada mais justo do que um belo churrasco em um ambiente agradável.

Domingão de sol, cerveja gelada, churrasco e piscina. Perfeito!  Onze da manhã eu já apreciava um belo prato de carnes, cerveja e caipirinha. Aliás, cabe aqui um protesto. Quem em sã consciência come frutas durante uma festa com carne e cerveja? Desperdício de dinheiro e de espaço. Enfim, o dia prometia.

Eu estava me comportando bem, preenchendo a face de álcool com tranquilidade e alegria, aproveitando o sol e a piscina. Fiz um esforço hercúleo para me manter afastado de objetos feitos de vidro e não subir em locais que representassem algum risco a minha integridade física. Mas… O tempo foi passando e o nível de sangue no álcool diminuindo. E é nessa hora que as merdas acontecem, de preferência comigo é claro.

Uma amiga que não aguentou e pediu arrego foi “descansar” no meu carro. Bêbado não descansa, ou passa mal ou desmaia. Minha amiga ficou com a duas opções. Sol escaldante e uma mistura de tomate, carnes e cerveja fermentando no interior do meu carro enquanto ela dormia.

Fazer o quê né, a merda, digo gorfada, já estava feita e eu continuei aproveitando o belo dia, as bebidas e a piscina.

E foi justamente na piscina que eu me machuquei. Sim, por que somente prejuízo com o carro não é o bastante. Ao executar um arriscado “salto mortal carpado seguido de um fincão estilo martelo-sem-cabo” eu me choquei com o fundo piscina. Mas calma, eu não arrebentei minha cabeça. Como eu sou muito esperto, ao perceber a iminência da merda do choque eu coloquei o braço na frente. Uma leve dor na hora mas nada sério.

Vida que segue, festa, bebedeira até as cinco horas da tarde. Horário combinado para acabar a confraternização.

Entro no carro todo molhado, aquele agradável cheiro azedo, calor infernal e vou pra casa. Acordo as seis horas, com o Cléber Machado gritando gol na TV. Confiro a hora, a cabeça pesando exatos 5.000 Kgs e constato o meu novo recorde pessoal. Com certeza essa foi a vez que eu fiquei de ressaca mais rápido na minha vida! Acordei nove horas, comecei a beber eram onze horas e as seis já estava sofrendo com a cefaléia típica da desidratação causada pela ingestão excessiva de álcool.

Como se a dor de cabeça e o estômago embrulhado não fossem o bastante, eu tinha a sensação de ter levado uma marretada no ombro esquerdo. Sério, parecia que um elefante havia sapateado em cima da minha omoplata. Fruto da minha habilidade nos saltos ornamentais.

Depois de um dia desses somente uma coca-cola com muito gelo para voltar ao normal. E mandar lavar o carro claro.

Fica claro que os deuses etílicos não gostam de mim e fazem questão de sacanear. Mas eu sou brasileiro e não desisto nunca. E não vou entregar os pontos assim tão fácil não. É preciso muito mais do que uma ressaca homérica, um braço torto e um carro vomitado para me vencer. Bring it on!!!